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Artigo de opinião | Enfermeira Patrícia Nicolau (Membro da Ordem dos Enfermeiros - nº45865)

Enfermagem Preventiva

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A saúde preventiva pode ser entendida como um conjunto de medidas e ações de saúde que têm como objetivo primordial prevenir o aparecimento de doenças e/ou minimizar o seu agravamento, promovendo a saúde num processo que visa criar condições para que as pessoas aumentem a sua capacidade de controlar os fatores determinantes da saúde, no sentido de a melhorar. Esta atitude preventiva deverá ser obrigatória e iniciada o mais precocemente possível e fazer parte de programas de saúde pública, devidamente implementados e motorizados.

De acordo com a análise anual da Direção Geral da Saúde (DGS), referente aos dados apurados em 2018, o maior número de mortes, por 102.838.20 habitantes, atribuiu-se a doenças do aparelho circulatório (32701), seguindo-se as neoplasias (28451), doenças do aparelho respiratório (13276), sintomas/achados laboratoriais (7028) e a doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (5550). A maioria destas doenças é prevalente em pessoas com mais de 70 anos de idade; afetando mais os homens do que as mulheres. 

Estas doenças estão diretamente relacionadas com vários fatores de risco modificáveis, entre eles, obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, hipercolesterolemia, ingestão de álcool e açúcar, tabagismo, sedentarismo e stress. Estão ainda relacionadas com fatores não modificáveis que, por sua vez, incluem a herança genética, o sexo, a etnia e a idade. Este último é sem dúvida importante, considerando a relação direta com o envelhecimento. Por outro lado, estes aspetos vêm demonstrar a relação direta entre a aquisição de hábitos de vida saudáveis com o decréscimo do risco de desenvolver de doenças crónicas, como as doenças cardiovasculares, diabetes e doenças degenerativas. Segundo dados da World Health Organization, estima-se que em 2019, 1.5 milhões de óbitos tenham sido diretamente causadas por diabetes. Já em 2012, 2.2 milhões de óbitos foram atribuídos a níveis elevados de glicose.

A importância da aquisição de hábitos de vida saudáveis, baseiam-se em pressupostos de educação alimentar, combate ao sedentarismo desde a infância e vigilância de indicadores, como a tensão arterial, o peso, o nível de exercício físico, o número de horas de sono, etc., a serem incluídos em vigilância de saúde, ao longo da Vida. Tendo isso bem claro, fica evidente que os esforços na área de promoção da saúde devem ser focados nos fatores modificáveis, já que a maior parte deles têm natureza comportamental, quer na procura, manutenção e adesão de vigilância de saúde, o que só pode ser alterado pela constante vigilância e ensino, desde a infância.

No entanto, existem alguns constrangimentos a este acompanhamento. Segundo dados da DGS de dezembro de 2020, voltámos a ultrapassar a barreira de um milhão de pessoas sem médico de família, o que não acontecia desde 2016. Este é o resultado do efeito conjugado dos atrasos no concurso de recrutamento de novos especialistas em medicina geral e familiar que este ano se arrastou devido à pandemia de covid-19, mas decorre também do elevado número de médicos de família que se estão a reformar, o que veio criar grande lacuna de recursos na Vigilância de Saúde, no âmbito Preventivo quer a nível de adoção de estilos de vida saudáveis, como na monotorização do surgimento de alguns sintomas ou achados, que possam ser um alerta.

Todos estes indícios levam-nos a crer que a medicina preventiva deve ser implementada precocemente nos programas de educação para a saúde, nomeadamente, ao nível dos cuidados de saúde primários, alargados ao sistema educativo, de forma continuada, ou na ausência destas condições, procurar no sistema privado, numa atitude e acompanhamento multidisciplinar, de forma a incidir sobre os fatores de risco das doenças mais prevalentes.

Desta forma, dentro de uma equipa que atua de forma multidisciplinar em diversas ações de prevenção e promoção da saúde, o enfermeiro assume um papel fundamental, quer pelos conhecimentos, quer pela proximidade que tem com as pessoas nas mais variadas faixas etárias, sendo um elemento de referência. Pode assumir funções essenciais como:

  • Desenvolvimento de programas de Medicina Preventiva, execução e avaliação dos mesmos, sempre baseado na avaliação dos indicadores de saúde.
  • Desenvolvimento de Consultas de Vigilância em Enfermagem, com avaliação de risco, rastreio precoce das doenças mais prevalentes e relevantes, recorrendo a avaliação de pressão arterial, glicemia e colesterol, cálculo de índice de massa corporal e medição da circunferência abdominal.
  • Elaborar recomendações individualizadas de mudança de estilo de vida, promoção da saúde e envelhecimento saudável, agindo nos fatores de risco modificáveis.
  • Realizar atividades educativas, em grupos terapêuticos ou de risco, como gestantes, doentes crônicos e idosos, sempre num acompanhamento contínuo e inserido no contexto familiar.

Perante esta realidade, é emergente vigiar a saúde, ter iniciativa e estar atento ao nosso corpo. Adquirir hábitos de alimentação e de vida saudáveis, conscientes e acompanhados pelos profissionais que nos possam ajudar, nas várias fases da nossa vida.

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